Para muitos cosmopolenses, ela faz parte da rotina e do dia a dia. Tanto para o trabalho, quanto para a diversão, a rodovia Professor Zeferino Vaz (SP-332) é caminho para cidades como Paulínia, Artur Nogueira, Engenheiro Coelho e Campinas. Em seus 81 quilômetros, que liga Campinas à Conchal, a paisagem é sempre ladeada por um vasto e verde canavial. Mas, nela, há bairros rurais e urbanos, uma refinaria de petróleo, distribuidoras de gás, postos de combustíveis, motéis, datacenter e outros comércios menores.
Zeferino Vaz, médico e professor universitário, emprestou seu nome á rodovia, e é um dos fundadores da Universidade Estadual de Campinas, a Unicamp. A decisão de se nomear a estrada foi do deputado estadual Milton Flávio (PSDB) em 2009; o nome foi alterado em 2010.
Vaz é o atual nome, mas ela já foi nomeada homenageando pessoas e até o trajeto que ela faz. De acordo com o mantenedor do Acervo Cosmopolense, Adriano da Rocha, a via já foi conhecida como “Estrada de Campinas”. Em documentos da Câmara Municipal de Cosmópolis, quando se cita a rodovia chama-se de “Marcondes Machado – SP332”. Em buscas em sites da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), feitas pela equipe do Canal EITV/RCTV, não se encontrou algum tipo de registro sobre este nome, somente estas citações em documentos do Legislativo cosmopolense.
Em 1974, o trecho entre Cosmópolis e Artur Nogueira foi pavimentado. O fim da obra resultou em um ato solene, em 7 de setembro, em um marco localizado no trevo de acesso à Cosmópolis na confluência das rodovias deputado João Herrmann Neto (SP-133) – que liga Cosmópolis à Limeira – e a SP-332; a estrutura de concreto ainda existe, a placa não mais.
Neste ato, estavam presentes os prefeitos de Cosmópolis, Paulínia e Artur Nogueira, o secretário de transportes do Estado de São Paulo, Paulo Maluf (que mais tarde seria governador) e Laudo Natel, governador do Estado.
Já em 1981, o então governador do Estado de São Paulo, Paulo Maluf, renomeou a rodovia SP-332. O nome escolhido foi do general Milton Tavares de Souza. No decreto 17.328, de 14 de julho, o nome do general – falecido dias antes da expedição do decreto – é exaltado por seus feitos chefiando o ‘Estado Maior do 2° Exército’, sua “carreira de militar o guindou, por mérito e competência profissional, a vários e elevados postos, como o comando de regiões e de divisões do Exército”, também citado por ser um dos artífices da “Revolução de 1964”, nome dado pelos militares no golpe civil-militar de 1964 que culminou na ditadura brasileira que durou 21 anos.
O nome de ‘Caveirinha’, como era chamado no Exército e citado em várias literaturas políticas especializadas no regime, ficou até 2010. No ano anterior, uma lei que questionava a referência a um violador dos direitos humanos a uma via pública, esta foi o que embasou a substituição do nome do general para o fundador da Unicamp. Na capital paulista, o general também teve seu nome retirado de outros dispositivos viários, como é o caso de uma ponte sobre o rio Tietê.
Outra SP-332?
A rodovia Professor Zeferino Vaz não é a única SP-332 no estado de São Paulo. A rodovia Presidente Tancredo de Almeida Neves, que corta parte da Região Metropolitana de São Paulo, também recebe esta identificação numérica. A rodovia liga o bairro de Pirituba, passa pelo Rodoanel Mário Covas e pelas cidades de Caieiras, Franco da Rocha e Francisco Morato até chegar à Jundiaí.
Imagem: Acervo Cosmopolense


