Os cinco homens, incluindo quatro pessoas de Cosmópolis, que foram detidas na operação Chargeback, realizavam compras pela internet e, com o cancelamento da compra por meio de instituições bancárias, eram reembolsados dos valores supostamente pagos. É este esquema que a Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Americana (SP) investiga. De acordo com as investigações, o grupo utilizava um esquema de fraudes em compras online para obter produtos sem efetuar o pagamento final.

Segundo a Polícia Civil, os suspeitos adquiriam mercadorias pela internet, aguardavam a entrega dos itens e, posteriormente, solicitavam o cancelamento das transações junto às instituições financeiras, alegando desconhecer as compras realizadas. Com isso, conseguiam receber o valor de volta e permaneciam tanto com os produtos quanto com o dinheiro reembolsado.
Os investigados, com idades entre 19 e 29 anos (duas em Artur Nogueira e quatro em Cosmópolis) também são suspeitos de obter lucro com a produção e comercialização de documentos falsificados, entre eles certificados, históricos escolares e atestados médicos. As apurações apontam que a prática de golpes era a principal fonte de renda do grupo.
De acordo com o delegado responsável pelo caso, Lúcio Antônio Petrocelli, uma das atividades criminosas consistia na falsificação desses documentos, que posteriormente eram enviados aos compradores pelos Correios mediante pagamento.
Os cinco detidos passaram por audiência de custódia na tarde desta quarta-feira (8) e tiveram a prisão preventiva mantida pela Justiça.
Ainda conforme a investigação, a organização recrutava pessoas com conhecimento sobre os mecanismos de contestação bancária para aumentar as chances de sucesso nos pedidos de estorno. Esses participantes atuavam como intermediários no esquema.
Os suspeitos orientavam os clientes a utilizarem cartões e contas vinculadas ao banco digital Nubank para efetuar as compras. Após a entrega dos produtos, era solicitado o cancelamento da operação financeira, sob a justificativa de que a compra não havia sido reconhecida pelo titular da conta.
Segundo o delegado, as pessoas encarregadas de realizar os pedidos de contestação recebiam parte dos valores recuperados, enquanto o restante era dividido entre os integrantes da organização criminosa.
As investigações tiveram início após a identificação de movimentações bancárias suspeitas e de um número elevado de solicitações de estorno. Conforme Petrocelli, o trabalho dos setores de compliance das instituições financeiras foi fundamental para detectar as irregularidades e colaborar com a Polícia Civil no esclarecimento do caso.
Durante o cumprimento dos mandados, os policiais apreenderam aparelhos celulares, documentos, arquivos digitais, anotações contendo nomes e números de CPF, além de quantias em dinheiro.
Os cinco investigados poderão responder pelos crimes de associação criminosa, estelionato, falsificação de documentos e falsidade ideológica.
A Polícia Civil continua apurando se o esquema atingiu outras instituições financeiras e se existem mais pessoas envolvidas na fraude.
