Desde 1985 a conhecida área do Matão de Cosmópolis é protegida por Lei Federal através do decreto 90.791/1985, assinado pelo então presidente general João Batista Figueiredo, que autorizou a criação da Área de Relevante Interesse Ecológico (ARIE) Matão de Cosmópolis.
Este decreto assegura a preservação do local que conta com 173 hectares, ou seja, mais de 242 campos oficiais de futebol (nas medidas estabelecidas pela FIFA).
Seu bioma é considerado de Mata Atlântica, e o local abriga várias espécies de plantas e animais. Incluindo a onça-parda da foto de capa desta reportagem que foi capturada por uma câmera especial que fotografa de acordo com o movimento do perímetro de sua lente.
Além de onças, cachorros-do-mato, saguis, cutias, capivaras e outros animais habitam a mata que tem sua totalidade dentro da área de Cosmópolis. Ladeado por plantações de cana-de-açúcar, embora protegida por Lei Federal, o Matão de Cosmópolis sofre com incêndios criminosos.
Em uma das entradas do ARIE Matão de Cosmópolis há placas advertindo a proteção do local que é feito por Leis. Não é permitido a caça, pesca ou qualquer ato que cause destruição da flora ou extinção da fauna.
A área em Cosmópolis também faz parte do Corredor das Onças. Este programa tem como objetivo aumentar a área de habitat do felino brasileiro impedindo-o de acessar áreas urbanas em busca de alimentos. Este corredor liga a ARIE Matão à ARIE Mata de Santa Genebra em Campinas.
“A conexão entre as duas Aries será realizada pelas matas ciliares dos cursos d’água que nascem nas UCs e deságuam em dois grandes rios da região: o Rio Pirapitingui – que deságua no Rio Jaguari, no caso da Arie Matão de Cosmópolis –; o Rio das Pedras – que deságua no Ribeirão das Cabras – e o Rio Atibaia – que deságua na Arie Santa Genebra”, diz a analista da ARIE Matão, Márcia Gonçalves.
Com o corredor, o número de animais em locais urbanos deve diminuir, pois o seu habitat será ampliado e a busca por alimentos e água ficará limitada ao espaço natural, diminuindo a procura desses recursos em outras áreas.
De acordo com o site do Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio), A Unidade de Conservação é de grande relevância para o município, o que inclui não apenas o cuidado com a flora e a fauna, mas com a vida humana”, diz a analista da ARIE Matão, Márcia Gonçalves.
Completando, a analista diz que o Matão ajuda no controle do clima na cidade de Cosmópolis e em outras cidades próximas. “Uma floresta fornece um ar de melhor qualidade pois as árvores filtram boa parte dos poluentes atmosféricos, diminuem a temperatura local, melhoram a umidade do ar, além de fornecer outros serviços ambientais”.
A analista ambiental explica que além de melhorar o clima da região, a floresta permite que a água da chuva penetre no solo, recarregando os mananciais. “Ela protege duas nascentes, os polinizadores da região e serve de fonte de dispersão das espécies para outras áreas que já perderam diversidade de vida”, afirmou.
Outros aspectos importantes dizem respeito à umidade relativa do ar e ao ciclo de chuvas, que se altera devido à quantidade de florestas de um local. No que se refere ao Matão, a analista frisa que o custo de tratamento da qualidade da água, que vem de florestas, pode chegar a até menos de 5% do valor de tratamento da água oriunda de meios urbanos.
Imagens: ICMBio (imagem de uma onça-parda capturada com câmera especial noturna)


