Violência doméstica não é “briga de casal”: é crime. E a Polícia Militar está do seu lado.
Por Capitão PM André Luiz Barbosa de Menezes — Comandante da 3ª Cia do 19º BPM/I
A violência doméstica é uma das formas mais silenciosas e cruéis de crime. Acontece dentro de casa, muitas vezes atrás de portas fechadas, e atinge principalmente mulheres que, por medo, vergonha ou dependência, acabam se calando. Este texto é para você, mulher, mãe, esposa ou companheira: saiba que a violência que você sofre não é normal, não é sua culpa, e a lei — e a Polícia Militar — estão ao seu lado.
A Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) foi criada para proteger a mulher de toda forma de violência praticada no âmbito doméstico e familiar, seja pelo marido, companheiro, ex-companheiro, namorado ou por qualquer pessoa com quem ela mantenha relação de afeto e convivência. A lei reconhece que a violência não é apenas física. Ela pode se manifestar de várias formas, todas elas crime:
• Violência física — empurrões, tapas, socos, chutes, agressões com objetos, ferimentos; • Violência psicológica — xingamentos, humilhações, ameaças, controle, chantagem emocional, perseguição;
• Violência sexual — qualquer ato sexual forçado ou que cause constrangimento;
• Violência patrimonial — controle do dinheiro, destruição de bens, retenção de documentos;
• Violência moral — calúnia, difamação e injúria. Muitas mulheres, especialmente as de baixa renda, abrem mão de trabalhar para se dedicar aos filhos e à casa. Essa dependência financeira é, muitas vezes, usada pelo agressor como uma arma: ele controla o dinheiro, decide o que a mulher pode ou não fazer e a mantém presa — física e mentalmente — sob ameaça constante. Isso também é violência e também é crime.
O CICLO DA VIOLÊNCIA: RECONHEÇA OS SINAIS ANTES QUE SEJA TARDE
A violência doméstica raramente começa com uma agressão grave. Ela segue um padrão repetitivo, conhecido como ciclo da violência, com três fases: 1. Aumento da tensão — o agressor fica irritado por motivos banais, faz ameaças, humilha, destrói objetos. A mulher tenta “acalmar” a situação para evitar o pior; 2. Explosão (ato de violência) — a agressão acontece de fato, seja física, psicológica ou verbal; 3. “Lua de mel” — o agressor se arrepende, pede desculpas, promete mudar, faz juras de amor. A mulher acredita e permanece, e o ciclo recomeça, cada vez mais intenso. Os sinais de alerta existem e podem salvar a sua vida. Fique atenta se o seu companheiro: • Faz uso excessivo de álcool ou outras substâncias e, sob efeito delas, torna-se agressivo;• É excessivamente ciumento e controlador — quer saber onde você está, com quem fala, e proíbe contato com família e amigos (isolamento); • Humilha e desqualifica você constantemente, minando sua autoestima; • Ameaça você, seus filhos ou pessoas próximas; • Já destruiu objetos, quebrou coisas ou agrediu você fisicamente; • Controla totalmente o dinheiro e as decisões da casa; • Impede você de trabalhar, estudar ou sair de casa. Quando a violência psicológica e o controle se somam ao alcoolismo e às agressões físicas, o risco de o ciclo terminar em feminicídio aumenta de forma dramática. Nenhum desses sinais deve ser ignorado.
O QUE FAZER: LIGUE 190 E PEÇA A MEDIDA PROTETIVA
Se você está sofrendo ou presenciando violência doméstica, ligue imediatamente para o 190. A ligação é gratuita, funciona 24 horas por dia e a Polícia Militar vai até você, onde você estiver. Ao chegar ao local, o policial militar vai: • Garantir a sua segurança e a de seus filhos; • Registrar a ocorrência e isolar o agressor, se necessário; • Orientar você sobre seus direitos; • Perguntar se você deseja receber visitas periódicas de uma equipe policial em sua casa. Se você aceitar, será designada a Patrulha Maria da Penha, uma equipe especializada composta por um policial e uma policial do sexo feminino, que fará visitas periódicas à sua residência para prestar auxílio, orientação e verificar se você está em segurança. Você não estará sozinha.
O QUE É A MEDIDA PROTETIVA DE URGÊNCIA?
A medida protetiva de urgência é uma ordem do juiz que protege você do agressor. Ela pode, por exemplo: • Afastar o agressor do lar e proibir que ele se aproxime de você, de seus filhos e de testemunhas; • Proibir contato por qualquer meio — telefone, mensagens, redes sociais; • Determinar o afastamento do agressor do trabalho ou local de convivência; • Garantir a você o direito de permanecer na casa e, se necessário, a separação de corpos. A medida protetiva é gratuita, não exige advogado e pode ser solicitada pela própria vítima na Delegacia de Polícia, pelo Ministério Público ou pela Defensoria Pública. Ela vale a partir do momento em que o juiz a concede — e, se o agressor a descumprir, ele comete crime e pode ser preso.
FEMINICÍDIO: O ÚLTIMO ESTÁGIO DA VIOLÊNCIA
Feminicídio é o assassinato de uma mulher por razões da condição do sexo feminino — ou seja, quando o crime envolve violência doméstica e familiar, menosprezo ou discriminação à condição de mulher. É crime hediondo, previsto no art. 121, § 2º, VI, do Código Penal, introduzido pela Lei nº 13.104/2015. O feminicídio não é um fato isolado. Na grande maioria dos casos, ele é o desfecho trágico de um longo histórico de ameaças, controle e agressões que poderiam ter sido interrompidos. Por isso, reconhecer os sinais e agir cedo é a diferença entre a vida e a morte. Os casos recentes na nossa região mostram a gravidade do problema:
• Em Cosmópolis, na madrugada de 6 de outubro de 2026, Luana Mirella dos Santos Rocha, de 25 anos, foi morta a golpes de faca pelo companheiro, no bairro Jacinto Hackel Fren Aun.
O suspeito foi internado sob escolta policial. Três crianças que estavam na casa — uma filha de 2 anos e duas enteadas de 6 e 8 anos — foram abrigadas pelo Conselho Tutelar. O caso foi registrado como feminicídio.
• Em Artur Nogueira, no dia 5 de setembro de 2026, Talita Ramos Andrade, de 35 anos, foi encontrada morta com sinais de violência e marcas de tiros em uma estrada rural. Talita tinha medida protetiva contra o ex-companheiro e havia registrado boletim de ocorrência relatando ameaças constantes. Ela deixa três filhos. O caso é investigado como feminicídio. Esses dois casos, ocorridos em menos de um mês nas cidades atendidas pela nossa Companhia, são um alerta doloroso: a medida protetiva, por si só, não basta — é preciso que a rede de proteção atue junto. Por isso a Polícia Militar não se limita a registrar a ocorrência: ela acompanha, visita e protege.
Nota: os dados oficiais consolidados de feminicídio em Cosmópolis e Artur Nogueira devem ser consultados na base de estatísticas da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP). Os casos acima foram verificados em reportagens do G1 (Piracicaba e Campinas).
A POLÍCIA MILITAR ESTÁ AO SEU LADO
A Polícia Militar do Estado de São Paulo tem procedimentos específicos, baseados na lei, para atender ocorrências de violência doméstica com acolhimento, dignidade e eficiência. Você não precisa provar nada sozinha. Você não precisa ter medo de denunciar. Denunciar não é trair — é proteger você e seus filhos. Lembre-se:
• Em emergência, ligue 190; • Para registrar a ocorrência e pedir a medida protetiva, procure a Delegacia de Defesa da Mulher ou qualquer delegacia;
• Em caso de dúvida, busque a Patrulha Maria da Penha da sua cidade; • Você também pode pedir ajuda ao Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher), que funciona 24 horas e é gratuito. A violência doméstica é um crime que se alimenta do silêncio. Quebrar o silêncio é o primeiro passo para romper o ciclo. Você tem o direito de viver sem medo.
E a Polícia Militar, com a lei nas mãos e o coração na missão, está com você.
Capitão PM André Luiz Barbosa de Menezes
Comandante da 3ª Companhia do 19º Batalhão de Polícia Militar do Interior
Receba Nossas Atualizações
Receba as últimas notícias e novidades do Canal EiTV sobre cultura, economia e muito mais.
Destaques:
- Comandante da PM de Cosmópolis elabora texto sobre violência doméstica contra mulheres
- Após alta médica, suspeito de matar Luana passa por audiência de custódia em Campinas
- Cosmópolis supera média nacional de abstenção eleitoral
- Chuva e vento trazem prejuízos para Cosmópolis
- História: O que ‘o caso do rato na Coca-Cola’ tem a ver com Cosmópolis?
- ACICO realiza encontro sobre Reforma Tributária
- Carro com mais de 480 multas é apreendido pela polícia em Limeira
- Mansão é invadida e moradora feita refém em Cosmópolis
quarta-feira, 07 de outubro de 2026
Comandante da PM de Cosmópolis elabora texto sobre violência doméstica contra mulheres
"Este texto é para você, mulher, mãe, esposa ou companheira: saiba que a violência que você sofre não é normal, não é sua culpa, e a lei — e a Polícia Militar — estão ao seu lado", diz o capitão da PM
Compartilhar.
Facebook
E-mail
WhatsApp
Copiar link
