Discutir sobre educação sexual tem sido um tabu cada vez maior, tamanho o pânico moral incutido em torno do tema. A simples menção a ele desperta discursos inflamados, vídeos indignados e acusações que se espalham com a velocidade vertiginosa do mundo digital e das fake news. O que se perde ao cair nessa cilada barulhenta é exatamente o que deveria estar em primeiro lugar na mente de qualquer um: o bem-estar de crianças e adolescentes. A ignorância toma o lugar da informação verdadeira, e aquilo que deveria proteger nossos jovens, como ensinar limites, consentimento, autocuidado e prevenção, passou a ser tratado como ameaça.
Como pode proteger o bem-estar de menores, assegurando-os dentro da lei, ser uma ameaça? A quem esse discurso serve? Afinal, vítimas que desconhecem métodos de defesa ficam mais suscetíveis aos predadores, bem como permanecem caladas dentro de um sistema de desinformação, não?
No entanto, o silêncio não protege ninguém. Pelo contrário: ele cria terreno fértil para abusos, desinformação e vulnerabilidades, o que se agrava de acordo com as interseccionalidades das minorias sociais. Sem educação sexual, uma grande parcela da juventude cresce sem linguagem para nomear violências, sem saber identificar manipulações e sem informações básicas de saúde que poderiam garantir sua segurança, quiçá sua vida. Educação sexual não sexualiza ninguém. O que sexualiza é, justamente, a falta dela: como na mentira de que falar sobre limites e consentimento é perigoso, por exemplo.
Enquanto o pânico moral segue sendo alimentado pelo conservadorismo como via de salvação, deixamos de oferecer o que realmente protege: informação clara, acesso à saúde, diálogo aberto e políticas públicas baseadas em evidências. Proteger crianças é falar a verdade. É oferecer ferramentas, e não medo. E, enquanto a desinformação seguir guiando o debate, quem paga o preço são sempre os mesmos: os jovens que crescem sem saber que têm direito ao próprio corpo, à própria identidade e à própria segurança.
Mais uma vez, o questionamento: se esse discurso aliena vítimas e mantém os predadores mais fortes, então… a quem, de fato, ele serve?
Por: Juh Brilliant (@juh_brilliant) – Autor independente dos livros O Menino das Meias, BRILHANTE?! e Amigas Para Sempre…, pedagogo e fotógrafo.
